REVISITANDO A "FLORESTA URBANIZADA": AS DINÂMICAS ATUAIS DE URBANIZAÇÃO E CONVERSÃO FLORESTAL NA AMAZÔNIA PARAENSE

August 25, 2018

Dissertação de Mestrado em Sensoriamento Remoto de Renata Maciel Ribeiro 

 

RESUMO

 

Na Amazônia Brasileira, as dinâmicas de urbanização e conversão florestal possuem lógicas complexas, dependentes de processos e agentes operando em diferentes escalas, e suas relações causais, apesar de apontadas na literatura, não podem ser diretamente estabelecidas. Assim, abordagens metodológicas que envolvam escalas espaciais distintas são essenciais para apreender e representar estas dinâmicas. Este trabalho explora a evolução espacial e temporal da urbanização e da conversão florestal na Amazônia, considerando os elementos observáveis e mensuráveis destes processos: a expansão urbana, como a dimensão observável dos processos de urbanização em curso, e o desmatamento, como uma medida dos processos de conversão florestal. O estudo é conduzido para dois níveis territoriais: Amazônia Legal e estado do Pará, e para três escalas espaciais, de acordo com suas unidades de análise: (i) os estados da Amazônia Legal, (ii) os municípios do Pará, e (iii) uma grade de células regulares para o estado do Pará. Esta abordagem multinível e multiescala foi realizada em três etapas. Na primeira etapa, obteve-se uma tipologia das relações entre urbanização e cobertura Florestal a partir dos padrões espaço-temporais das tendências de evolução do grau de urbanização (população urbana) e incremento do desmatamento, tanto para os estados da Amazônia Legal quanto para os municípios do Pará. Na segunda etapa, as relações entre expansão urbana e desmatamento para o estado do Pará foram exploradas através do uso de Regressões Geograficamente Ponderadas (GWR), para duas unidades espaciais de análise: os limites poligonais municipais e as células de 20x20km. Os resultados dos parâmetros das regressões classificaram grupos de municípios e grupos de células com comportamento espaço-temporal similares.  Na terceira etapa, os padrões de associação espacial da relação entre desmatamento e expansão urbana foram explorados a partir da base metodológica proposta pela Curva Ambiental de Kuznets (EKC). Tomando-se o desenvolvimento socioeconômico como dimensão de análise, os municípios do estado do Pará apresentaram diferentes formatos da curva EKC. Os resultados de todas as etapas evidenciaram a complexidade das relações entre os processos de conversão florestal e urbanização na Amazônia, e a variabilidade das relações considerando diferentes escalas espaciais. Cada recorte espaço-temporal e as abordagens metodológicas aportaram diferentes elementos objetivos que evidenciam a dificuldade de se estabelecer relações gerais e diretas, ou conclusivas quanto à coocorrência, ou concordância, dos processos de urbanização e da conversão florestal. Este estudo contribui com informações derivadas de partes mensuráveis de processos complexos, para que a agenda sobre modelos de desenvolvimento regional retome o componente urbano como elemento essencial para se pensar em um bioma Amazônico socialmente justo e ambientalmente responsável.   

 

 Para acesso ao trabalho completo acesse: http://mtc-m21c.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m21c/2018/08.29.17.26/doc/publicacao.pdf

 

 

 

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